cartaz

Apresentação
JORNADA DE FILOSOFIA DA RELIGIÃO

Deus depois da «morte de Deus»: Abordagens filosóficas contemporâneas

A formulação de provas racionais da existência de Deus marcou profundamente a história da filosofia ocidental. Os autores medievais, apoiados nos princípios da filosofia antiga e imersos numa cosmovisão claramente cristã, foram capazes de engendrar uma diversidade de provas, estimulando intermináveis disputiones. Os debates em torno da existência de Deus proliferaram, também, ao longo da era moderna. Mesmo num contexto de progressiva secularização dos saberes, a razão continuava a procurar Deus. Surgiram novas provas da existência de Deus e também novas formulações dos argumentos clássicos, tanto cosmológicos como ontológicos. Longe de estar terminado, o debate em torno das provas racionais da existência de Deus persiste no seio das diversas correntes da filosofia contemporânea. Ao longo da jornada, serão explorados três contributos distintos para este debate: (1) a argumentação de teor lógico-formal elaborada, sobretudo, no contexto anglo-saxónico, a partir da filosofia analítica e seus métodos; (2) o debate no seio da fenomenologia francesa contemporânea, mais centrada na questão da fenomenalidade de uma eventual manifestação divina; e (3) a forma original de pensar a existência de Deus a partir da filosofia de Xavier Zubiri.

Quem serão os Oradores?

speaker
João Duque

Presidente UCP-Braga

speaker
Domingos Faria

Doutorado em Filosofia

speaker
Andreas Lind

Doutorando em Filosofia

speaker
João C. Onofre Pinto

Doutorado em Filosofia

Horário da jornada

  • Hora
    Orador
    Título
  • 10h00
    Boas Vindas
  • 10h15
    speaker-thumb-two João Duque
    A relação inter-humana como «mostração» da existência de Deus

    (ver mais)

    Partindo de um conceito de “demonstração” mais vasto do que na sua aplicação matemática, procura-se mostrar, argumentativamente, que o discurso sobre Deus se justifica. O ponto de partida aqui formulado não é estritamente lógico, nem ontológico, mas sobretudo antropológico (embora em perspetiva transcendental). Ao explorarmos o sentido mais profundo do humano – aqui interpretado como inter- humanidade – mostra-se- nos que este não é compreensível até ao fim, sem o recurso a Deus. Ao mesmo tempo, a “essência” de Deus compreende-se como inter- pessoalidade, o que vem ao encontro das “rationes necessariae” para pensar Deus como uni-trino. A analogia nominum (a partir do humano) dá lugar à analogia proportionalitatis (a partir de Deus), permitindo compreender o humano como correspondência pessoal.
  • 11h15
    Coffee Break
  • 11h45
    speaker-thumb-four Domingos Faria
    Deus é possível? Logo, existe!

    (ver mais)

    Com o argumento ontológico modal deriva-se logicamente que se a existência de Deus é possível, então a sua existência é necessária, o que implica que é também efetiva. Ou seja, caso se aceite que a existência de Deus é pelo menos possível, então não se pode senão aceitar que Deus existe efetivamente. Com este argumento o ónus da prova será mais leve para o teísta, pois tudo o que é preciso fazer para provar que Deus existe é mostrar a mera possibilidade de Deus. Mas haverá boas razões para se aceitar a mera possibilidade da existência de Deus? Nesta comunicação pretende-se analisar e defender as mais recentes razões apresentadas por Alexander Pruss (2010), Robert Maydole (2012), Brian Leftow (2015), e Yujin Nagasawa (2017) a favor da possibilidade da existência de Deus. Com base em tais razões pode-se aceitar que Deus é possível e, por conseguinte, concluir validamente que Deus existe efetivamente.
  • 13h00
    Pausa para Almoço
  • 14h30
    speaker-thumb-six Andreas Lind
    Afirmar a existência de Deus ou aceder à realidade divina? O argumentum de Santo Anselmo comentado a partir da fenomenologia de Michel Henry

    (ver mais)

    Não foi por mero acaso que alguns dos principais fenomenólogos de língua francesa posteriores a Husserl, tais como P. Ricoeur, E. Levinas, M. Henry e J.-L. Marion, comentaram o argumentum anselmiano. No final do século passado, quando a prova anselmiana era vivamente debatida no seio da filosofia analítica, estes autores continentais desviaram o debate para um outro âmbito. Operando a partir da fenomenologia, a questão da validade lógica própria ao encadeamento das premissas foi posta de lado, em proveito do fenómeno bruto que se manifesta e suas condições de possibilidade. Não se trata, portanto, de afirmar racionalmente que Deus existe: trata-se, antes, de verificar em que medida será possível aceder à realidade que Deus constitui. Neste contexto, é interessante analisar e avaliar a crítica que M. Henry dirige contra o argumentum. Henry rejeita categoricamente a prova anselmiana por dois motivos principais: (1) por um lado, o argumentum não afirma apenas a existência de Deus, mas também a impossibilidade de aceder a Deus; (2) por outro lado, o argumentum assume implicitamente uma leitura unilateral da fenomenalidade (a existência fenomenal de um ser situa-se sempre à distância de um sujeito que o pode representar ou conceptualizar intelectualmente, mas não o pode sentir afetivamente). Desta forma, o argumentum impede-nos de pensar a possibilidade da manifestação de Deus na interioridade do sujeito (na sua própria archi-afetividade). Procurarei mostrar aqui como esta dimensão afetiva, ligada à manifestação de Deus, se faz, contudo, presente no Proslogion de Anselmo, muito embora tenha caído no esquecimento a partir da modernidade cartesiana.
  • 15h45
    Coffee Break
  • 16h15
    speaker-thumb-six João C. Onofre Pinto
    O enigma da «religação» ao poder do real e a exigência da «experiência» de Deus

    (ver mais)

    Xavier Zubiri (1898-1983) interessou-se especialmente por três grandes temas: a realidade, a inteligência (inteleção humana) e Deus. O tema de Deus supõe a articulação dos anteriores: a realidade impõe-se à inteligência como um «poder» ao qual o homem está religado, de modo que a razão humana não pode escapar à pergunta pelo fundamento radical. Este é o início do peculiar itinerário do «problema teologal do homem». Nesta apresentação, ver-se-á, por um lado, a crítica do filósofo espanhol a várias das tradicionais «provas» ou «vias» da existência de Deus, e, por outro, a sua proposta do «facto radical» da «religação» como âmbito onde o problema de Deus pode ser «experimentado», resultando daí diferentes respostas: teísta, ateia ou agnóstica.
  • 17h30
    Encerramento
4 Oradores
100 + Lugares
Coffee Break incluido
26 de Maio de 2018

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